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    Como podes mudar a tua identidade individual para concretizares os teus maiores sonhos

    Há duas formas de o teu futuro acontecer:

    1. Deixares que o ele aconteça
    2. Assumires o controlo em relação a ele

     

    Identidade Individual

     

    A maior parte das pessoas escolhe a primeira opção. Melhor dizendo, nem sequer escolhe, simplesmente não pensa muito no assunto, acabando por seguir com a primeira opção. Eu própria vivi assim durante muitos anos. Achava que não. Achava que o facto de ter escolhido o meu curso de engenharia, e de ter decidido prosseguir para o doutoramento, e ter procurado o emprego “dos meus sonhos” como cientista, e tê-lo conseguido, significava que tinha tudo sob controlo e que estava a conduzir a minha vida na direção que mais desejava. E depois apercebi-me que afinal não. Apercebi-me que muitas das decisões que tomei ao longo da vida foram completamente condicionadas por fatores externos e por paradigmas que eu própria tinha imposto a mim mesma sobre o que era o sucesso e a felicidade. E percebi que adorava aquilo que fazia, mas que não era bem aquilo que era suposto eu fazer para o resto da minha vida.

     

    Descoberta

    Foi preciso um grande trabalho de exploração interna e auto-conhecimento para mudar para a opção 2. Tudo começa com o auto-conhecimento. Sem sabermos exatamente aquilo que queremos, nunca vamos conseguir alcançar o nosso maior potencial. Por isso, primeiro é sempre preciso fazermos aquilo que for necessário para descobrirmos quem somos e aquilo que queremos. Só a partir daí poderemos começar a trabalhar para o conseguirmos. Isto não quer necessariamente dizer que tenhamos de saber exatamente aquilo que vamos fazer até ao fim das nossas vidas. Apenas que precisamos de saber muito bem qual é a próxima coisa que queremos alcançar e da qual necessitamos para sermos felizes e para caminharmos na direção em que queremos levar o nosso futuro.

     

    Há várias formas de descobrirmos quem somos e o que realmente queremos. No meu caso, penso que algo que contribuiu muito para o auto-conhecimento foi passar tempo sozinha. Gosto muito de estar com outras pessoas, pessoas que me fazem bem e com quem gosto de passar tempo, mas também sempre gostei muito de estar sozinha. Sempre fiz questão de ter momentos dedicados apenas a mim, e a verdade é que no início da minha jornada de mudança, por circunstâncias da vida, não foi preciso muito esforço para isso acontecer. Tive a oportunidade de explorar as minhas paixões, aquilo que me motiva e aquilo que me faz feliz. Passeios a sós pela natureza, ou mesmo pela cidade, horas a ler coisas que despertam o nosso interesse, até mesmo passar tardes a explorar a internet deixando fluir aquilo que mais chama por nós e pela nossa curiosidade, pode levar a grandes descobertas. Como se costuma dizer, se há algo que consegues passar horas a fazer sem qualquer esforço, nem dás pelo tempo a passar e até te esqueces de comer, então deve haver aí alguma coisa de muito importante e interessante para ti.

     

    Explorar coisas fora da nossa “zona de conforto” é também muito importante. Se eu não tivesse feito isso, duvido muito que o tempo passado sozinha tivesse servido para alguma coisa. Expormo-nos a tudo o que possa causar-nos interesse, assim como a algumas coisas mais out of the box leva-nos a descobrir coisas em nós que nem sabíamos que lá estavam. Experimentar, passar tempo com pessoas que fazem outras coisas e que vivem outras realidades, ver sítios novos, tentar atividades e hobbies diferentes, são coisas extremamente enriquecedoras e que podem muito bem revelar-se como life changing.

     

    Outras atividades, como a meditação, a escrita livre, ou mesmo viajar, também podem levar-nos a descobrir novos interesses ou motivações que desconhecíamos existirem. Vale tudo o que achem que possa ajudar-vos a conhecerem-se melhor, bem como aos vossos sonhos, vale a pena tentar.

     

    Implementação

    Depois de sabermos o que queremos fazer, chega então a hora de começar a implementar. Nesta implementação podem incluir-se dois conjuntos de atividades diferentes:

    A) Passos práticos para que a mudança se dê
    B) Alteração da identidade individual de forma a incorporar o novo paradigma

     

    No conjunto A estamos a falar de ações muito objetivas para alcançar uma meta. Por exemplo, se o objetivo for perder peso, podemos começar por procurar informação em relação ao que devemos comer e ao estilo de vida que devemos adotar, começar a tentar estabelecer hábitos que incorporem esses alimentos e esse estilo de vida, e tentar eliminar outros que possam estar a afastar-nos do nosso objetivo. Noutro exemplo, se o objetivo for uma mudança de carreira, podemos começar por procurar algumas oportunidades de formação na nova área, tentar ler artigos, livros ou outros conteúdos relacionados com o novo tópico do nosso interesse. Do conjunto B já vou falar um pouco mais à frente.

     

    O problema na implementação de grandes mudanças de vida é que a maior parte das pessoas se foca apenas no primeiro conjunto de atividades. Mas a realidade é que o primeiro sem o segundo raramente funciona, principalmente quando estamos a falar de mudanças de vida muito grandes, como podem ser os dois exemplos que referi, entre outros.

     

    Se o estilo de vida saudável for eternamente aquilo que estou a tentar fazer mas que representa um esforço da minha parte, ou se a mudança de carreira for para sempre aquilo que um dia eu irei fazer, então mais cedo ou mais tarde a força de vontade vai esgotar-se e vamos acabar por desistir. Todos já passámos por isso. Não é fácil continuarmos a ir, todos os dias, contra aquilo que somos ou que achamos que somos. E já é do conhecimento geral, no seguimento de diversos estudos, que a força de vontade funciona como um músculo. Isto significa que não tem uma capacidade infinita. Quem faz musculação sabe que há um número finito de repetições que podemos fazer com um determinado músculo, e que após esse número o músculo estará de tal maneira exausto que já não vai mesmo funcionar, a não ser que lhe demos tempo para recuperar. Da mesma forma, se semana após semana continuarmos a treinar esse músculo, ele vai acabar por ser capaz de realizar um número progressivamente maior de repetições. A força de vontade funciona exatamente da mesma forma: ela é finita e podemos treiná-la a resistir mais. Mas ainda assim, continuará sempre a ser finita. Por isso, se formos a confiar apenas na nossa força de vontade para alcançar um determinado objetivo, o mais provável é acabarmos por falhar. Daí ser preciso fazer mais qualquer coisa. E é aqui que entra a conjunto B de atividades.

     

    Este segundo conjunto de atividades tem como objetivo modificar a nossa identidade individual de forma a incorporar o nosso novo paradigma. A identidade individual ou pessoal consiste naquilo que nós acreditamos que somos. Todos temos uma identidade individual, aquilo que muitos identificam como personalidade. No entanto, aquilo que muitos não se apercebem é que, ao contrário de alguns traços de personalidade, a nossa identidade individual é mutável e podemos manipulá-la de forma a tornar mais fácil atingirmos determinados objetivos. Aliás, a nossa identidade muda naturalmente ao longo da nossa vida. Qual de nós nunca sentiu isso na pele? Por exemplo, eu era extremamente tímida e hoje não me identifico como tal. Nunca fiz um esforço consciente para esta mudança, foi algo que surgiu naturalmente com a progressão de ambientes com os quais fui entrando em contacto ao longo da minha vida. Mas para aumentarmos as probabilidades de virmos a atingir o nosso objetivo, há partes da nossa identidade que podem ser alteradas de forma consciente.

     

    Posso, desde já, dizer que não é fácil. É mesmo preciso um esforço consciente. É preciso dedicar tempo e atenção aos diferentes passos que se podem tomar, mas se realmente o quisermos fazer, é totalmente possível e está ao alcance de qualquer um.

     

    Estratégias

    Na minha opinião e da minha própria experiência, há cinco estratégias que podemos implementar para proporcionar esta mudança de identidade. Estas funcionaram (e continuam a funcionar) comigo, mas não quer dizer que não existam mais que estou ainda para descobrir.

     

    1 – Visualização

    Todas as manhãs, depois dos meus 5 minutos de meditação, faço 5 minutos de visualização. Esta atividade pode ser muito parecida com a meditação, mas enquanto que na meditação tentamos focar o nosso pensamento em algo específico, ou apenas observar os pensamentos que surgem, na visualização a ideia é (como o próprio nome indica) visualizarmo-nos a nós próprios depois de termos alcançado os nossos objetivos. Por exemplo, se o objetivo for ter um estilo de vida saudável, posso visualizar-me com o corpo que desejo, sentido-me confortável e confiante nesse mesmo corpo, a comer alimentos saudáveis e a retirar prazer deles, a mexer-me, a ir ao ginásio e a passar tempo ao ar livre, sem stress e com um estilo de vida equilibrado em que descanso tanto quanto necessário. Se objetivo for uma mudança de carreira posso então visualizar-me a sair de casa para ir fazer o trabalho para o qual desejo mudar, a sentir-me realizada com aquilo que faço e a sentir-me confortável e confiante na minha nova posição.

    Este ato de nos visualizarmos de determinada forma e de o fazermos repetidamente vai fazer com que o nosso cérebro interprete isso como uma realidade. Já devem ter ouvido a frase “fake it till you make it” e isto está relacionado com isso mesmo. Ao vermos esta nova pessoa, que somos nós mas ainda não somos, o nosso cérebro vai começando a interpretar aquilo como uma realidade, uma inevitabilidade, algo que é tão natural como aquilo que somos neste momento.

    Se conseguirem fazê-lo de manhã e à noite, tanto melhor.

     

    2 – Daydreaming

    Esta estratégia vem no seguimento da anterior e é por vezes muito fácil de implementar. Apesar do daydreaming ter muitas vezes uma conotação negativa, estando associada a crianças desatentas nas aulas ou a adultos pouco focados nos outros ou no seu trabalho, ela é, na verdade, uma atividade estimulante e que pode até levar ao aumento da memória e da criatividade (entre outros benefícios). Neste contexto, pretende-se um prolongamento da estratégia anterior. Quantas vezes já não me imaginei a conseguir um grande contrato com uma grande editora para a publicação de um dos meus livros? Isto ainda antes de ter qualquer livro escrito!

    A chave aqui é não descartar estes sonhos como impossibilidades mas assumi-los mesmo como potenciais realidades daqui a uns meses ou anos. Porque não? Tudo é possível. O objetivo é ficar em forma? Então imagina-te a ir à praia com aquele biquini da moda e o corpo dos teus sonhos, confiante e sorridente. Faz isto com grande frequência e menor será a probabilidade de ires à caixa das bolachas porque estás aborrecidos com o trabalho. Por isso, deixa a tua mente divagar à vontade pelos teus maiores sonhos de forma a aumentares o contacto do teu cérebro ainda mais com a tua futura realidade (sim, é mesmo importante acreditares que esta vai ser a tua realidade no futuro).

     

    3 – Afirmações

    A ideia desta estratégia consiste em ter um conjunto de afirmações que traduzam a pessoa na qual nos queremos transformar. Estas afirmações devem estar escritas e acessíveis sempre que as queiramos ler. Por exemplo, eu tenho um cartão com as minhas afirmações mais importantes na mesa de cabeceira, e outro na minha carteira, que anda sempre comigo. Podem também escrevê-las numa nota no telemóvel ou numa agenda com a qual andem sempre. Para que estas afirmações tenham um maior impacto, há dois pormenores que podem implementar:

    – escreva-as no presente. Por exemplo, se o objetivo for ter um estilo de vida mais saudável podes escrever no presente “Eu sou uma pessoa saudável que trata bem do seu corpo e se sente confiante na sua própria pele.”

    – lê-as imediatamente antes de adormeceres e imediatamente depois de acordares. Os últimos minutos antes de adormeceremos e os primeiros minutos depois de acordarmos são as alturas em que estamos mais próximos do nosso subconsciente.

     

    4 – Incorporação no vocabulário

    Começa a falar como se o objetivo que queres alcançar já fosse uma realidade ou como se fosse uma inevitabilidade. Numa primeira instância, esta estratégia será mais fácil de implementar no teu discurso interno, ou seja, quando falas contigo própria. Por exemplo, se quiseres mudar de carreira, fala como se já tivesses a nova profissão que queres. Eu, por exemplo, levei algum tempo a conseguir afirmar “Eu sou escritora.” Hoje já não sei ver-me de outra forma. Se o objetivo for ficar em forma digam sempre “quando eu conseguir vestir aquele vestido” em vez de “se eu conseguir”.

    Progressivamente, tenta levar este tipo de discurso também para a interação com os outros. Talvez primeiro seja mais fácil de implementar com quem te é muito próximo e esteja a par do teu objetivo, e apenas mais tarde com outras pessoas. Esta estratégia pode parecer demasiado óbvia mas há muitas pessoas que a descuram e que não se apercebem que o facto de dizerem algo como “se eu realmente conseguir mudar de emprego” (em vez de “quando eu mudar de emprego”) está a transmitir aos seus cérebros que não sabem se serão capazes. Ora, não é isso que se pretende, muito pelo contrário. Pretende-se, com todas estas estratégias, transmitir ao nosso cérebro que esta mudança é inevitável.

     

    5 – Incorporação no meio ambiente

    Rodeia-te de incentivos e de elementos que te transmita motivação quanto ao teu objetivo, e ainda, que te indiquem que a mudança já está em progresso.

    No campo da motivação, podem ser frases motivacionais, fotografias que representem os teus objetivos, ou mesmo vision boards. No exemplo da mudança de carreira, se precisas de aprender algo novo relacionado com a nova área, estabelece uma área de trabalho onde apenas vais trabalhar nessa mudança. Uma secretária com materiais de trabalho pode muito bem ser o suficiente. Já para o outro exemplo, compra mesmo aquele biquini ou aquele vestido que queres usar quando atingires a forma dos teus sonhos.

    Há variadas formas de incorporares o teu objetivo no teu meio ambiente e a forma como o fazes vai depender muito do objetivo em questão. Mas mais uma vez, apesar de poder parecer óbvio, é bom não descurar esta estratégia.

     

    Conclusão

    Espero que tenhas gostado destas estratégias e que consideres a sua implementação. Tudo muda quando a nossa identidade muda, acredita. Mas para isso, temos de ser intencionais e trabalhar de uma forma consciente (mesmo que o intuito seja influenciar o nosso subconsciente).

     

    Convém agora não esquecer que ainda existe o conjunto de atividades A! Continuam a ser precisas ações práticas para alcançares os teus sonhos. Não basta visualizar, e sonhar, e afirmar, para que a coisa se dê. Continua a ser preciso trabalho.

     

    Uma última recomendação: não tentes implementar todas estas estratégias de uma só vez. Vai ser demasiado e apenas vai servir para te baralhar e desmotivar. Começa por uma, aquela que, para ti, fizer mais sentido, e concentra-te em transformar essa num hábito. Quando essa estratégia já não exigir muito esforço, passa para a seguinte e assim progressivamente.

     

     

    Se conheceres mais alguma estratégia relacionada com este assunto partilha-a comigo nos comentários e se decidires começar a implementar alguma destas estratégias vai-me dizendo como está a correr.

     

    Partilho 5 estratégias para conscientemente mudares a tua identidade individual e conseguires avançar em direção aos teus maiores sonhos.

    Partilho 5 estratégias para conscientemente mudares a tua identidade individual e conseguires avançar em direção aos teus maiores sonhos.

    2 Comments

    • Catarina Vasconcelos

      Parabéns por este artigo, querida Filipa!! Está mesmo muito, muito bom! E veio relembrar-me de algumas estratégias que tenho descurado nos últimos tempos! Por isso, obrigada 🙂 um grande beijinho e continua com este belíssimo trabalho!!

      • Filipa Maia

        Que bom que gostaste, Catarina! Muito obrigada, continuarei sim 🙂
        Um grande beijinho*

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